“Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” - Marcos 10.45
O caminho de Jesus segue na direção
oposta aos desejos do coração humano. Enquanto os discípulos ainda imaginam
lugares de honra, Ele continua avançando para Jerusalém, onde não há tronos
visíveis, apenas uma cruz preparada. O contraste é silencioso, mas profundo:
eles falam de grandeza; Ele caminha em direção à entrega.
No relato do Evangelho, o pedido de
Tiago e João nasce logo após Jesus anunciar sua paixão. A morte está diante
Dele, mas o coração deles ainda pulsa por reconhecimento. Jesus não levanta a
voz, não endurece o olhar. Ele apenas revela que há um cálice a ser bebido, um
caminho de obediência que passa pela dor. O Reino que Ele anuncia não se
constrói com posições elevadas, mas com vidas derramadas. Assim como o Servo
anunciado pelos profetas, Ele carrega sobre si o peso que não era Seu (Isaías
53.11), e transforma sofrimento em redenção.
Quando Jesus fala do serviço, não
apresenta uma ideia abstrata. Ele aponta para si mesmo. O Filho do Homem,
aquele que tem autoridade sobre todas as coisas, escolhe o lugar mais baixo.
Seu serviço não é pedagógico apenas; é salvífico. Ao dar a própria vida, Ele
resgata muitos, rompe correntes invisíveis e inaugura uma nova forma de existir
diante de Deus. Como mais tarde lembraria o apóstolo, Ele se humilhou até a
morte, e morte de cruz (Filipenses 2.8).
Esse mesmo Cristo continua agindo no
tempo. O Reino segue crescendo de maneira discreta, como semente lançada na
terra. Onde o mundo enxerga fraqueza, Deus faz nascer vida. Onde há gestos
escondidos de amor, o Servo ainda se revela. O serviço que brota do Evangelho
não nasce da obrigação, mas da memória viva da cruz, onde fomos alcançados
primeiro.
Há um mistério silencioso nesse caminho
de descida. Quanto mais o coração repousa na obra de Cristo, mais aprende a
permanecer. O serviço deixa de ser peso e se torna linguagem da graça.
Como raízes que crescem no escuro, a vida vai sendo transformada sem alarde,
sustentada pela presença fiel daquele que veio para servir.
Senhor Jesus,
Servo que se entregou por amor,
acolhe o nosso coração diante da tua
cruz.
Que a memória do teu serviço nos habite
em silêncio,
e que a tua vida derramada gere em nós
descanso e fidelidade.
Sustenta-nos na tua presença,
até que todo o nosso viver reflita o teu
amor.
Amém.
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